Ilhéus, 09 de julho de 2012
À
Promotoria Regional de Ilhéus
Sr. Promotor,
O governo em seu delírio esquerdista
quer, a qualquer custo, transformar vasta região produtiva ao sul de Ilhéus em
uma aldeia Pataxó. Acontece que nem todos os moradores concordam com essa
ideia. Mas ele sabe que o homem é movido pelo próprio interesse, embora não
conte com a esperteza de todos “para levar vantagem em tudo”. Arrogante, o
governo passou a distribuir privilégios só para os que se converteram em
indígena: seja negro, branco, pobre ou rico. Foi o método que encontrou para
convencer o sofrido camponês a virar índio. Não existe uma política específica
de proteção à pobreza, mas uma condição sem a qual o morador não recebe os
benefícios sociais. Os que não se submetem a essa condição continuam esquecidos
pelas autoridades constituídas.
Se alguém adoece aqui e seu nome não
consta nessa relação indígena, não será atendido pelo Estado; caso contrário,
ele terá atendimento médico imediato a qualquer hora do dia ou da noite. Ainda
contará com cesta-básica, vacinação, medicamentos, transporte e tarifa de
energia grátis.
Tenho setenta anos e caminho vinte
quilômetros de ida e volta até a estrada Ilhéus-Olivença. Se porventura me
deparo nesse percurso com um veículo de assistência a esses índios, ele não me
socorre porque não faço parte dessa tribo ressuscitada pela conveniência
eleitoral do governo. Apesar da minha idade e vivendo na mesma condição de
pobreza não recebo nenhuma proteção do Estado e ainda fui excluído do projeto
anterior Luz para Todos porque não aderi ao programa socialista tupiniquim.
Geralmente, os que não são cadastrados como índios só conseguem energia se a
linha de transmissão passa pelo seu imóvel.
Comigo ainda fizeram pior: sem minha
permissão, os operários da Meta desmataram, quebraram cercas e cancela e
instalaram quatorze postes em nossa área, só para levar energia elétrica aos
índios que vivem a três quilômetros daqui e me deixaram a ver navios.
Eis o resumo do programa de um
governo que veio promover a justiça social e difundir o bem-estar de poucos.
Saudações,
Diógenes Lins da Silva
