terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O Homem Natural

       O homem na sua forma mais natural, constitui um intrigante mistério até hoje, já que não há casos atualmente de homens que viveram na total ausência de contato com a sociedade humana, que viveram e sobreviveram totalmente isolados e levados por seus instintos e vontade de potência. Mas existem indícios de crianças que passaram parte de sua infância na natureza, isoladas, e tais indícios podem nos dar uma mínima ideia de como seria o homem natural; Como o garoto John, africano de um País que não me recordo o nome, fugiu aos 4 anos de idade, de sua casa para a selva, onde foi acolhido por um grupo de macacos, anos depois foi encontrado por uma mulher, que o entregou a um casal que cuidava de crianças, após um longo processo de socialização e agora com 18 o garoto já pronuncia algumas palavras no dialeto do seu povoado e freqüenta a escola bem atrasado por sinal;Ou seja o garoto após passar sua infância na natureza e na companhia de animais, passou a adotar seus comportamentos, e somente após ser socializado novamente retoma a sua “humanidade”.
        E então somos levados a se perguntar, de onde então vem a humanidade do homem, pelo visto essa tal “humanidade” não é natural do homem, já que fora do alcance das influencias sociais o homem não se retém de comportamentos tipicamente humanos. Será que a humanidade é na verdade um fruto da socialização e da educação, que o individuo passa desde o momento do nascimento, será que o homem isoladamente não é fruto da evolução, e talvez da imitação, é necessário que admitamos que o homem durante seu processo de socialização, não faz outra coisa se não imitar e copiar os resultados de sua percepção, e nada mais que isso.
       Já conhecemos o homem socializado o comum, mas como se daria então a existência de um homem não socializado, isolado e natural; O homem na forma mais natural e essencial, na verdade não constitui a definição de “homem” que todos nós temos; o homem natural, é um homem regredido mais próximo talvez dos animais, não sabe ao certo como usar sua racionalidade, está entregue á sua vontade de potencia e somente ela, um sujeito essencialmente niilista. O homem selvagem não possui consciência reflexiva, quando isolado claro, e não possui os mais refinados sentimentos, somente a raiva e a necessidade; a única coisa que nesse caso o diferencia dos animais é a capacidade de planejamento e só, o homem essencialmente natural não passa de um ser praticamente bestializado.
       A humanidade que tanto se gaba de ser a espécie mais evoluída deste planeta, o resultado do mais perfeito processo de evolução, e na verdade esconde em sua essência um ser bestializado desprovido de quaisquer virtudes e moral, uma besta niilista, o que somos na realidade é o maior mistério já imaginado.
Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo.” Gandhi

domingo, 4 de dezembro de 2011

Crítica a Aquino

      Tomás de Aquino, padre, filósofo, teólogo, e um dos principais nomes da escolástica, lembrado por tentar demonstrar a evidencia da existência de deus através da lógica aristotélica, uma de suas principais obras são As 5 vias, que analisavam a existência de deus por: primeira – deus como motor do movimento dos movidos, a origem de tudo que se move; Segunda – deus como causa do efeito da existência, o ponto 0; Terceira – como todos os seres isoladamente são desnecessários para a existência de um sistema, seria preciso a existência de um ser essencialmente necessário : deus; Quarta – cada ser tem um grau de perfeição, é necessário assim a causa da perfeição ou o seu máximo: deus; Quinta e última – deus como autor de toda a ordem da natureza. Em resumo deus é tudo, ele não necessita de uma criação pois ele é, e somente isso, portanto é causa e conseqüência de tudo.
       Vou iniciar minha crítica com uma pequena observação, Aquino trata a existência de deus como algo evidente, num mundo em que nada pode ser realmente avaliado como evidente, já que algo certamente evidente constitui uma certeza absoluta e imediata, e não há como haver certeza quanto a isso, pois o que esta além do homem , ou seja deus, está portanto além da compreensão do homem, logo não é uma certeza, não passa de uma suposição. Além disso, podemos nos deixar levar ás questões metafísicas, se deus é tudo, e deus criou o tudo também, quer dizer então que o tudo sempre existiu, isso nos leva a uma série de conclusões, como: se o tudo sempre existiu não há a necessidade de um ser divino para criá-lo, e não há a necessidade de movimento. Outra contradição de Aquino foi a admissão da existência da perfeição, não há perfeição e não pode haver, caso contrário não haveria evolução, e deus como máximo da perfeição não evoluiria, não mudaria, o que constitui uma contradictio in adjecto, já que a evolução sim leva ao mais perto da perfeição;Outra, se deus é a causa inteligente da ordem, e criador de um mundo totalmente ordinário, como então existem casos extraordinários? Como então existe o erro?O erro não provem da ordem e sim da desordem, deus então é a causa inteligente do nada, do que não existe, então não é causa nem conseqüência.
       Podemos concluir então após todo esse desenvolvimento que, São Tomás de Aquino tentou o impossível, tentar explicar um dogma religioso através da razão, pois tais dogmas não são possíveis como ciência e nem como filosofia, impassíveis de experimentação e para considerá-los válidos basta a fé e é nela que é baseada.Logo não há evidencia alguma na existência e nem da inexistência de deus.
        O fato é que o homem cria um ser divino e perfeito, para explicar a tudo o que ignora, um verdadeiro culto a própria ignorância e a existência deste tal ser se torna, com uma análise mais detalhada, algo inexplicável e uma contradição com a realidade.Aqueles que creem na existência desse deus tendem a considerar as afirmações de Aquino como provas lógicas e reais, da existência de deus, mas todos num profundo desconhecimento dos fatores históricos e os fatores coesivos da dialética de São Tomás, se tornam presas fáceis frente as verdades imediatas, suplico que abstraiam tais textos com mais atenção e desconfiança.Parece-me muito útil um deus que explique todos os nossos problemas lógicos mas prefiro reter-me da dúvida, do questionamento e de enxergar toda a multiplicidade que a realidade nos traz, prefiro me permitir a conhecer, e evoluir.
“Os Velhos Deuses estão Mortos”

Universalização da filosofia

       Como brasileiro e amante deste País, me encho de pessimismo, ao reconhecer um íntimo culto ás culturas estrangeiras por parte das mentes brasileiras, há uma hipervalorização do que é de fora, do que é “melhor”, me entristece ouvir um brasileiro dizer “meu sonho é ir pra fora, pois tal país é melhor”, vire seus olhos para sua realidade, porque esta sim é sua,lute contra a conformação, temos a mania de nos diminuir quanto á cultura europeia e norte-americana, nos excluindo assim da construção criativa no nosso próprio país e consequentemente do mundo; só a partir do momento em que nos disvincularmos de culturas “melhores” iremos então, finalmente, atingir a independência mental e psicológica a que nos mesmos nós submetemos, e enfim nos livrar do preconceito a nós mesmos.
      Os brasileiros principalmente, até os mais instruídos, tendem a considerar as literaturas e projetos culturais europeus, como superiores aos próprios, e repassam essa visão preconceituosa aos nossos jovens, dando continuidade á decadência. Precisamos pensar, replico. Talvez por questões  históricas nos submetemos essa realidade de exclusão, talvez por coerção estrangeira, mas nada que nos impeça de reverter esse quadro, que estudemos os pensadores do mundo todo mas criando em cima deles próprios estruturas de pensamento contextualizadas sobre a nossa realidade, sem cultos, para que pensemos para nos mesmos não estando presos a contextualizações exteriores e a subjeções alheias, livres então de preconceitos ideológicos, para que desenvolvamos nossa própria filosofia, que exerça a sua função inicial: a de levar o homem a pensar e se questionar sobre sua realidade, insurgimos então pensadores para o nosso próprio meio e em cima dele desenvolver nosso projeto filosófico.
      Presumo que o pensamento mais válido séria não de filosofias independentes, e sim de uma filosofia universal preocupada em acolher em si toda a amplitude do espírito humano, teórica mas aplicada á realidade, uma filosofia que ultrapassasse barreiras físicas e mentais, como Nietzsche fez em minha visão, uma filosofia versátil, que abrangesse a todos de forma igual relevando sua contribuição para o conhecimento filosófico em seu amplo conceito;Mas de que forma isso se tornaria uma realidade? Somente através da extinção dos velhos e ultrapassados preconceitos, que tornam o desconhecido incapaz, e o conhecido super capaz, tais preconceitos antigos e arcaicos que governavam e ainda governam a produção e a transmissão de conhecimento em todo o mundo destacando países com certa inferioridade no processo histórico, ninguém é inferior a ninguém, portanto todo e qualquer desenvolvimento mental e intelectual deve ser considerado capaz e considerado a estudo.O conhecimento nunca morre sempre é criado se opondo às objeções dos físicos, é sempre adicionado, aumentado.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O improviso como forma de expressão máxima do espírito humano

        Alguns e muitos filósofos defendem a arte como a verdadeira e máxima expressão da alma humana, no entanto essa arte pode ter nascido não de uma representação essencial da alma de seu criador e sim da imitação descarada, e de uma secreta incapacidade criativa, o que não expressaria a essência de seu autor.
     A arte deixa por isso de ser uma expressão da essência do homem, mas passa a se determinar apenas uma representação, somente uma serie de imitações provenientes da observação e de um olhar  crítico por parte do artista; mas então o homem não tem expressão? E se tem qual é? a verdadeira e máxima expressão da essência humana é o improviso, a capacidade na sua forma mais natural e elevada, a atuação simultânea de pensamento, planejamento e ação, são a prova mais singela de que a informação esta internalizada pelo  artista, é o processo em sua forma mais majestosa, expressa a alma do artista no momento presente e exemplifica sua essência num soar de cordas, na ponta de um pincel, pelos movimentos milimétricos do corpo....
      O que seria do homem sem a sua capacidade de criação, sem a possibilidade do novo, ele passaria de ser a objeto inútil, que para no tempo e cruza os braços e espera o tempo passar, deve haver o constante estímulo dessa capacidade tão humana , para que haja o desenvolvimento e a evolução.

Mundo Real e Mundo Convencional

      É necessário para que se concretize o desenvolvimento natural da mente humana, um estado consciente do homem para com o mundo em seu sentido mais amplo, esta consciência seria o reconhecimento das convenções que governam nossa de vida e são tidas como verdades invariáveis, um mundo conceitual e, as forças naturais independentes da existência do homem, o mundo real este sim suporta verdades invariáveis.
      Primeiro falemos da necessidade da construção dessa consciência, o homem ao iniciar seus processos lógicos leva em conta informações obtidas ao longo da história que tende a considerá-las verdades certas invariáveis, e também a um secreto sentimento antropocêntrista no qual há um pensamento de que as coisas existem para que o homem as explore e as meça construindo assim suas verdades inquestionáveis, tais processos lógicos só nos levam à reductio ad absurdum, já que nós homens não somos os donos nem defensores das verdades invariáveis pois ela está não esta ao nosso alcance, a nós só é cabível a busca das pequenas suposições que nos auxiliam na eterna busca da verdade sempre questionável.
      Para melhor entendimento dividamos o mundo em dois conceitos, o mundo convencional e o mundo real; O mundo convencional como já citei é um mundo que o homem criou para entender seu ambiente natural e antrópico, é um mundo de convenções, de generalizações que governam os processos científicos, nele estão estão a ciência, a religião(mundo metafísico), as denominações em geral do que são as coisas,por exemplo: o objeto cadeira , ele não é uma cadeira nós demos essa denominação ao objeto em questão; a água, ela é água o homem denomina de água o liquido para entende-lo e etc... é um mundo que dita o nosso cotidiano e sem ele não podemos viver, mas que precisamos ter consciência de que são apenas pequenas mentiras; O outro é o mundo real que existe independente das denominações e convenções humanas, é um mundo incontestável com verdades invariáveis, porém desconhecidas ao homem e sempre permanecerão desconhecidas, nele estão presentes as coisas em si, independentes, reais, como por exemplo a cadeira já citada a denominamos de cadeira mas sem essa denominação ela vai continuar existindo e continuar a ser um objeto de sentar, a água apesar de a chamarmos de água e convencionarmos suas propriedades se essa não existissem a água continuaria a existir num equilíbrio natural ela é perceptiva a nós, ela existe então independente das convenções.
       Esta consciência das inverdades criadas ao longo de séculos, pode nos levar á revolução do pensamento, apesar de vivermos cercados de convenções aparentemente verdadeiras e incontestáveis deve-se terem mente que não passam de meras suposições sobre o mundo em que vivemos, logo passíveis de questionamento; no momento em que o homem se permitir o questionamento, a reflexão sobre as verdades que aparecerão, haverá a revolução e a independência mental, e então homens sedentos por conhecimento e a favor dele.
“Nada é, tudo está para ser”

Por uma educação que eduque

     A educação  da atualidade busca na verdade o consumo exacerbado de conhecimento, busca o culto ao passado sem dar ao aluno a possibilidade do questionamento e cria dessa forma homens massificados e incapazes de viver, com os olhos virados apenas para os pequenos objetivos, homens convencionados.
     A verdade é que na atualidade, são gerados não mais homens que buscam a produção de conhecimento, a originalidade, personalidade; e sim enciclopédias ambulantes preocupadas apenas com seu próprio traseiro, que só gravam informações indigeridas, somente vacas destinadas a seguir o rebanho a qualquer preço.
       O que deve-se se preocupar com educação é mesmo o culto ás individualidades invés de criar massas cinzas incapazes de criar, apenas de seguir e gravar, é necessário dar a possibilidade do questionamento a esses educandos , mas como? Desenvolvendo desde as suas épocas mais inferiores a individualização e ao reconhecimento de suas capacidades individuais, além de provocar neles a produção de conhecimento com o atissamento da sua vontade  internalizando nele a busca de conhecimento .
        Visto sempre que, apesar das diferenças, todos são capazes de exercer a produção de conhecimento nos níveis mais elevados, porém para tanto deve haver  por parte dos professores alem da paixão, o reconhecimento dessas capacidades, Gênios não se criam espontaneamente, eles são criados . Apelarei pelo resto de minha vida que não se conformem com uma realidade pronta , se deixem levar pela sua vontade de potencia ao desconhecido à CRIAÇÃO.
" A educação é diretamente proporcional ao desenvolvimento"